CASTELO ONDE TE SONHO POESIA

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quarta-feira, 23 de julho de 2014

APAIXONEI-ME POR UMA SENHORA CASADA!
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Ela estava na reunião de pais, na escola dos nossos filhos. Sentava-se quase sempre na última cadeira do grupo de encarregados de educação. Muito discreta, só a via intervir quando o assunto era o seu filho.

Reparei na cor dos seus olhos meigos. Mudavam de cor na medida da intensidade da luz que entrava pelas janelas: verdes escuros na penumbra, quase azuis na luz quente e aberta, raiados de castanho e verde-natureza à meia-luz. Nunca nos olhava diretamente, mostrava uma timidez atraente e sedutora.

Comecei a sentar-me na cadeira atrás dela. Sobre o ombro de pele clara e perfumada, a alça da camisola bonita seguia elegante até ao volume dos seus seios, escondidos debaixo do tecido de algodão.

Quando me aproximei, num movimento subtil perto do seu pescoço, inalei aquele perfume discreto, intenso, quente e envolvente. “Usa dos caros”,- pensei. Vi o interior da sua carteira aberta. Continha fotos: num dos lados da carteira elegante, não consegui ver quem estava na foto. “Seria do marido? -”No outro lado, bem visível, a do filho.

Quando passaram o documento para ser assinado por todos, perguntei se podia usar a sua esferográfica. “Claro”.-estendeu-me a mão. Segurei na esferográfica acariciei veloz e discreto as suas mãos. Gostei da sensação inesperada. Será que ela sentiu o prazer deste toque como eu senti? Porque me sinto atraído por esta senhora? O que tem ela que me deixa assim, interessado e com vontade de estar perto dela? Não posso cair no erro de desejar o que não posso desejar.

Passaram dois meses e, novamente a reunião de encarregados de educação. Sentei-me na última cadeira. Olhei em volta depois de cumprimentar o grupo. “Ela não veio?- pensei. Fiquei triste. A porta abriu-se, era ela. Abri o meu sorriso. Fiquei feliz.

Desta vez a sua cadeira habitual estava ocupada, sentou-se mesmo ao meu lado. Não olhou para mim, estava atenta ao que a diretora de turma dizia. “Sou-lhe indiferente. Ainda bem, senão isto podia ser um problema.” Mas queres enganar a quem?- Era este o diálogo dentro de mim.” Basta ela sorrir para ti e ficas rendido”. Tem juízo rapaz.”.

Levantei-me e pedi a palavra para dizer que não estava de acordo com o acordo apresentado. A diretora de turma pediu para que eu fosse mais concreto e apresentasse uma alternativa. Apresentei a alternativa. Foi rejeitada por todos exceto por ela. Sim, a senhora dos olhos meigos, perfumada, discreta e tímida pediu a palavra. Falou. Disse, e depois de ter dito, todos, todos os que antes rejeitaram a minha tese aprovaram-na sem qualquer ressalva. Aprovaram a minha alternativa reprovada. Que aconteceu ali?

Agradeci-lhe. Ela sorriu para mim. Eu sorri para ela. Mostrou-me a foto do marido. Surpreendido. Surpreendidos? O marido da senhora de olhos meigos de mil cores e ombros perfumados que me atraiu e me apaixonou, afinal -, Sou Eu!





2 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Uma história atraente e com um final surpreendente.

PjConde-Paulino disse...

Muito obrigado, pelo comentário, amigo Luís Rodrigues Coelho.