Conhecer-me é sair de mim; saber olhar o outro, no reflexo da minha imagem. Sou sempre Eu e Tu . Somos Camões, Eça ou Pessoa... Somos nós, no abraço que nos une na fronteira do espaço infinito pintado de estrelas pelo supremo Pintor. -PjConde-Paulino.
CASTELO ONDE TE SONHO POESIA
sexta-feira, 25 de julho de 2014
MÃE, por PjConde-Paulino
( *Memórias do Alentejo)
A mão da minha mãe
Segura a minha, de menino
Para chegar ao ribeiro -...
Feito de água, cristalino.
Oiço o canto rouxinol
O Ti”Manel" lá na horta
Eu na relva a brincar
E o cão deitado à porta.
Sabe lavar a cantar
Fralda fé e casaquinho
Do seu menino cuidar
Sem nunca desanimar
A preparar o seu ninho.
Mãe...É poema de amar!*
A mão da minha mãe
Segura a minha, de menino
Para chegar ao ribeiro -...
Feito de água, cristalino.
Oiço o canto rouxinol
O Ti”Manel" lá na horta
Eu na relva a brincar
E o cão deitado à porta.
Sabe lavar a cantar
Fralda fé e casaquinho
Do seu menino cuidar
Sem nunca desanimar
A preparar o seu ninho.
Mãe...É poema de amar!*
*
*
PjCondePaulino. Sonetilho.013/12/9 Ver mais
PjCondePaulino. Sonetilho.013/12/9 Ver mais
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Decidimos. Está decidido. Vamos viajar. Os sorrisos apareceram mais bonitos; ainda mais bonitos? Sem dúvida; inolvidavelmente indeléveis. Os dias e as noites não dormiam: tal a expetativa sonhada pela estrada fora, antecipando as paisagens surpreendidas pela passagem dos nossos olhares a transbordar de curiosidade.
“Pai, está na hora. A mãe já prepara o pequeno almoço.”
"Já? - Olhei,
duas horas da madrugada. Não consegui abrir os olhos de sono, num
parto difícil. Nem tinha passado uma hora. Pari a vontade perfeita
das vontades comuns. Fiquei em pé, como se acordado estivesse. Não
estava.
A “magana” estava preparada. Combustível a transbordar. Bagagens a saírem das fraldas. GPS preparado:
“Hoje temos que
fazer quase mil quilómetros. - Disse o navegador de serviço,
sentado ao meu lado com a voz grave da manhã. Não consegui emitir mais do
que um pequeno “grunhido. Ainda me sentia parturiente. Afinal,
estas horas não são para andar nestas aventuras. Minha rica
caminha.
“Eu sei que sou elegante, mas, pelo menos um lugarzinho para os meus pés de Cinderela.- A companheira de viagem estava a tentar sentar-se no seu lugar de honra. O colega do lado riu e disse:
“Olha, pergunta
ao pai. Ele é que é o especialista nos arrumos. - Riram os
dois. Eu, voltei a emitir um sonzinho gutural, sem o nexo das
palavras faladas entre os humanos.
A madrugada amanheceu nas
montanhas ainda geladas com o eco da língua castelhana. O frio da
manhã entrou-me pela pele, fora do automóvel. Cheirinho a café.
Pão quentinho nas mãos preparadoras da mamã”. Cá o “Je”
continuava a tiritar de frio com o meu “corta-vento” vestido no
corpo do nosso filho, mesclado pela alegria do roubo antecipado, do
meu casaquinho tão desejado. Mas nele também fica bem.
A chuva recebeu-nos à entrada da bela Biarritz; cidade costeira, princesa de França dignificando o oceano que a beija, na ondulação atlântica.
O Hotel era francês. A rececionista também. Aclarei a voz e disse no meu melhor francês:
“Bonne nuit. Je
suis Paulo Conde-Paulino et j'ai réservé une chambre. A
francesa, olhou para mim e respondeu solícita:
“Hola. Buenas
noches. Bienvenido a nuestro hotel.- O meu “navegador
escondeu-se atrás da mãe, a rir. A progenitora tentava,
ingloriamente, manter a pouse de Condessa. Riram
a bandeiras despregadas, duvidando da qualidade intrínseca do meu
francês.
As camas da suíte eram excelentes. Alvas e convidativas. O cansaço da viagem já não dava para as "suites-musicais numa cadeia de danças ordenadas no romantismo que nos apraz. A Condessa foi experimentar; adormeceu nos braços de Morfeu. O "Condinho” e eu, não conseguimos chegar aos respetivos leitos. Despertámos na manhã seguinte, já o sol ia alto. Tínhamos sucumbido ingloriamente nos sofás. Não chegámos a saborear o conforto dos Leitos-fraternais enfeitados pelas almofadas de penas e saudade.
Companheirismo: laços profundos. Memórias vivas...Abraços de amizade. Saudade. Vontade de voltar aos lugares onde nos sentimos livres, vivos. Recebidos com um carinho especial: verdadeiro. Amor no olhar da natureza, nossa, das coisas. Viajar com quem me ama de forma tão única... Arrebatador é o sentimento nestas viagens, ao visitar, visitando, a quem me quer tanto num companheirismo inigualável, leal, e verdadeiro.
Mergulho no Poema ao som da música que envolve:):https://www.youtube.com/watch?v=9rpJe84z1DM
*TESOURO, por PjConde-Paulino
No fundo, onde o mar adormece
Respiro algas e peixes em prata.
O sol, radiante de luz, não fenece
Vive e sente a melódica sonata.
No fundo do meu mar, és tesouro
Guardado no silêncio e nas vagas.
Na alma, emocionada no vindouro:
Oceano de ternura e águas rasas.
No fundo, és pérola que encontrei
Na sístole, do meu coração de amar:
Senti o mar, de amar e mergulhei
No fundo, onde moras, e te amei
Na diástole do repouso a palpitar
O tesouro, escondido, encontrei.
*
*
*
In Castelo de Palavras e Sentimentos
*TESOURO, por PjConde-Paulino
No fundo, onde o mar adormece
Respiro algas e peixes em prata.
O sol, radiante de luz, não fenece
Vive e sente a melódica sonata.
No fundo do meu mar, és tesouro
Guardado no silêncio e nas vagas.
Na alma, emocionada no vindouro:
Oceano de ternura e águas rasas.
No fundo, és pérola que encontrei
Na sístole, do meu coração de amar:
Senti o mar, de amar e mergulhei
No fundo, onde moras, e te amei
Na diástole do repouso a palpitar
O tesouro, escondido, encontrei.
*
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In Castelo de Palavras e Sentimentos
quarta-feira, 23 de julho de 2014
APAIXONEI-ME POR UMA SENHORA
CASADA!
*
Ela estava na reunião de pais, na escola dos nossos filhos. Sentava-se quase sempre na última cadeira do grupo de encarregados de educação. Muito discreta, só a via intervir quando o assunto era o seu filho.
Reparei na cor dos seus olhos meigos. Mudavam de cor na medida da intensidade da luz que entrava pelas janelas: verdes escuros na penumbra, quase azuis na luz quente e aberta, raiados de castanho e verde-natureza à meia-luz. Nunca nos olhava diretamente, mostrava uma timidez atraente e sedutora.
Comecei a sentar-me na cadeira atrás dela. Sobre o ombro de pele clara e perfumada, a alça da camisola bonita seguia elegante até ao volume dos seus seios, escondidos debaixo do tecido de algodão.
Quando me aproximei, num movimento subtil perto do seu pescoço, inalei aquele perfume discreto, intenso, quente e envolvente. “Usa dos caros”,- pensei. Vi o interior da sua carteira aberta. Continha fotos: num dos lados da carteira elegante, não consegui ver quem estava na foto. “Seria do marido? -”No outro lado, bem visível, a do filho.
Quando passaram o documento para ser assinado por todos, perguntei se podia usar a sua esferográfica. “Claro”.-estendeu-me a mão. Segurei na esferográfica acariciei veloz e discreto as suas mãos. Gostei da sensação inesperada. Será que ela sentiu o prazer deste toque como eu senti? Porque me sinto atraído por esta senhora? O que tem ela que me deixa assim, interessado e com vontade de estar perto dela? Não posso cair no erro de desejar o que não posso desejar.
Passaram dois meses e, novamente a reunião de encarregados de educação. Sentei-me na última cadeira. Olhei em volta depois de cumprimentar o grupo. “Ela não veio?- pensei. Fiquei triste. A porta abriu-se, era ela. Abri o meu sorriso. Fiquei feliz.
Desta vez a sua cadeira habitual estava ocupada, sentou-se mesmo ao meu lado. Não olhou para mim, estava atenta ao que a diretora de turma dizia. “Sou-lhe indiferente. Ainda bem, senão isto podia ser um problema.” Mas queres enganar a quem?- Era este o diálogo dentro de mim.” Basta ela sorrir para ti e ficas rendido”. Tem juízo rapaz.”.
Levantei-me e pedi a palavra para dizer que não estava de acordo com o acordo apresentado. A diretora de turma pediu para que eu fosse mais concreto e apresentasse uma alternativa. Apresentei a alternativa. Foi rejeitada por todos exceto por ela. Sim, a senhora dos olhos meigos, perfumada, discreta e tímida pediu a palavra. Falou. Disse, e depois de ter dito, todos, todos os que antes rejeitaram a minha tese aprovaram-na sem qualquer ressalva. Aprovaram a minha alternativa reprovada. Que aconteceu ali?
Agradeci-lhe. Ela sorriu para mim. Eu sorri para ela. Mostrou-me a foto do marido. Surpreendido. Surpreendidos? O marido da senhora de olhos meigos de mil cores e ombros perfumados que me atraiu e me apaixonou, afinal -, Sou Eu!
*
Ela estava na reunião de pais, na escola dos nossos filhos. Sentava-se quase sempre na última cadeira do grupo de encarregados de educação. Muito discreta, só a via intervir quando o assunto era o seu filho.
Reparei na cor dos seus olhos meigos. Mudavam de cor na medida da intensidade da luz que entrava pelas janelas: verdes escuros na penumbra, quase azuis na luz quente e aberta, raiados de castanho e verde-natureza à meia-luz. Nunca nos olhava diretamente, mostrava uma timidez atraente e sedutora.
Comecei a sentar-me na cadeira atrás dela. Sobre o ombro de pele clara e perfumada, a alça da camisola bonita seguia elegante até ao volume dos seus seios, escondidos debaixo do tecido de algodão.
Quando me aproximei, num movimento subtil perto do seu pescoço, inalei aquele perfume discreto, intenso, quente e envolvente. “Usa dos caros”,- pensei. Vi o interior da sua carteira aberta. Continha fotos: num dos lados da carteira elegante, não consegui ver quem estava na foto. “Seria do marido? -”No outro lado, bem visível, a do filho.
Quando passaram o documento para ser assinado por todos, perguntei se podia usar a sua esferográfica. “Claro”.-estendeu-me a mão. Segurei na esferográfica acariciei veloz e discreto as suas mãos. Gostei da sensação inesperada. Será que ela sentiu o prazer deste toque como eu senti? Porque me sinto atraído por esta senhora? O que tem ela que me deixa assim, interessado e com vontade de estar perto dela? Não posso cair no erro de desejar o que não posso desejar.
Passaram dois meses e, novamente a reunião de encarregados de educação. Sentei-me na última cadeira. Olhei em volta depois de cumprimentar o grupo. “Ela não veio?- pensei. Fiquei triste. A porta abriu-se, era ela. Abri o meu sorriso. Fiquei feliz.
Desta vez a sua cadeira habitual estava ocupada, sentou-se mesmo ao meu lado. Não olhou para mim, estava atenta ao que a diretora de turma dizia. “Sou-lhe indiferente. Ainda bem, senão isto podia ser um problema.” Mas queres enganar a quem?- Era este o diálogo dentro de mim.” Basta ela sorrir para ti e ficas rendido”. Tem juízo rapaz.”.
Levantei-me e pedi a palavra para dizer que não estava de acordo com o acordo apresentado. A diretora de turma pediu para que eu fosse mais concreto e apresentasse uma alternativa. Apresentei a alternativa. Foi rejeitada por todos exceto por ela. Sim, a senhora dos olhos meigos, perfumada, discreta e tímida pediu a palavra. Falou. Disse, e depois de ter dito, todos, todos os que antes rejeitaram a minha tese aprovaram-na sem qualquer ressalva. Aprovaram a minha alternativa reprovada. Que aconteceu ali?
Agradeci-lhe. Ela sorriu para mim. Eu sorri para ela. Mostrou-me a foto do marido. Surpreendido. Surpreendidos? O marido da senhora de olhos meigos de mil cores e ombros perfumados que me atraiu e me apaixonou, afinal -, Sou Eu!
Sou poema desnudo, vestido de musica:
https://www.youtube.com/watch?v=ivJrE_Wory0
-
Camisa
Elegante,
por
PjConde-Paulino
*
Abre a porta do roupeiro!
Vês? Sou camisa elegante.
Observa-me, lampeiro
Silenciosamente....
Abre a porta e abraça-me...
Sê o que quiseres:
Jardim de prazeres Princesa e fada
Camisa na noite
Carícia-deleite
Flor perfumada
Sorrindo tu és, a Mulher amada!
*
*
*
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